A COMUNIDADE A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO


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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Receitas viram instrumento de aprendizado

Comemorar o centenário do poeta e compositor brasileiro Vinícius de Moraes através da culinária foi a proposta da 4ª edição do Degusta Alemão, evento que com o apoio do projeto Bairro Educador, Programa Saúde nas Escolas (PSE) e Cientistas do Amanhã,  reuniu na terça feira, 18, estudantes e professores de 12 unidades escolares do Complexo do Alemão, no pátio da Escola Municipal Professor Affonso Varzea, no Rio de Janeiro.


O Bairro Educador ao realizar diferentes atividades educativas envolvendo as obras de Vinícius de Moraes trabalhou junto com os professores os conteúdos pedagógicos a partir de cardápios que vão desde petiscos a sobremesas, destacando a importância da alimentação saudável para uma boa qualidade de vida.

Além de aprender a fazer saladas de frutas, empadas de frango lights, montar sanduíches saudáveis, dentre outras iguarias, os estudantes também tiveram a oportunidade de conhecer a biografia de Vinícius de Moraes, reconhecido mundialmente por suas composições  “Garota de Ipanema” e “Aquarela do Brasil”.


“A Casa”, “Garota de Ipanema”, “Aquarela do Brasil”, dentre outras canções de Vinícius, foram transformadas em paródias pelos estudantes, que inovaram ao utilizar as músicas para criar uma grande variedade de receitas, nas quais se basearam na coletânea infantil “A arca de Noé” de autoria do compositor. A estudante Ana Carolina Santana, de 11 anos, da Escola Municipal Professora Vera Saback Sampaio, afirmou que passou a conhecer Vinícius de Morais e suas obras a partir do “Degusta”.

“Eu não sabia nada sobre Vinícius de Moraes. Comecei a estudar as obras dele e conhecer as suas músicas na escola. Gosto da música Garota de Ipanema, porque fala sobre as belezas do Rio de Janeiro e como a cidade mudou até hoje”, disse a estudante.


Com farinha e manteiga, é uma dica
Vá untando a forminha da empadinha (...) – paródia da música Galinha d’Angola

Karina Serra, professora da Escola Municipal Professor Affonso Varzea, falou sobre a importância do Degusta para trabalhar com os estudantes o conteúdo pedagógico de uma forma mais lúdica. “Trabalhamos formas geométricas, as sílabas das palavras, arte, alimentação saudável e algumas palavras em inglês, pois a Affonso Várzea, possui um projeto bilíngue há quatro anos”, disse Karina.

O “Degusta” contou com a apresentação artística das turmas de Educação Infantil da Escola Municipal Professor Affonso Varzea, cantando a música “A foca” e dos gestores de projeto do BE, Rangel Vieira e Leonardo Oliveira, que cantaram e tocaram algumas composições de Vinícius de Moraes.



O Bairro Educador realizou, durante o evento, um jogo com os responsáveis, com o objetivo de identificar se os mesmos acompanham o desempenho dos filhos em sala de aula e como agiriam em determinadas situações cotidianas nas unidades escolares.


“Este evento serviu para mostrar que os pais podem ter um bom entrosamento com a escola, pois nos aproxima mais ainda tanto dos nossos filhos como das professoras e diretoras”, comentou Rafaele Paulo de Sousa, responsável por um estudante do EDI- Espaços de Desenvolvimento Infantil - Professora Luisa Helena Maia Medeiros.

O Degusta Alemão contou com a participação das seguintes unidades escolares: E.M. Rubens Berardo, E.M. Professor Mourão Filho, E.M. Prof. Affonso Varzea, E.M. Nereu Sampaio, E.M. José Aparecido do Prasdo Sarti, E.M. Profª Vera Sabback Sampaio, das Creches Municipais José Vieira da Silva e Nova Brasília e dos EDIS – Dona Lindu, Professora Eliane Monte Chiari Dantas, Profª Lúcia Maria Batista de Albuquerque e Professora Luisa Helena Maia Medeiros.


Por Ana Paula Santana

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vinícius de Moraes no plural: saúde e educação


A professora do 4º ano, Iris Nogueira, da Escola Municipal José Aparecido do Prado Sarti, desenvolveu, em parceria com o Bairro Educador Complexo do Alemão, a Trilha Educativa “Vinícius no Plural: saúde e educação”. O objetivo das atividades foi estudar a vida e obra de Vinícius de Moraes, articulando com alimentação saudável e culminando no “Degusta, Alemão!” 4ª edição.


A trilha foi iniciada com a apresentação do CD “A Arca de Noé”. A partir da apresentação das músicas foi apresentada à turma a história da vida do diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro, Vinícius de Moraes.

A turma conheceu Vinícius e o seu estilo musical através de vídeos encontrados na internet, exibidos em formato de um mini sarau e pesquisa realizada com o estagiário de informática da escola.


Em parceria com a técnica de enfermagem, Edna Gomes, o 4º ano recebeu a nutricionista Érica Rodrigues, da Clínica da Família Bibi Vogel, para uma conversa e oficina sobre alimentação saudável e aproveitamento integral dos alimentos.

Com o apoio da professora, Iris Nogueira, do Bairro Educador e da diretora Regina Faria a turma construiu a paródia da música “A Casa”, de Vinícius de Moraes. Na paródia a turma fala sobre a importância da alimentação saudável.

O cardápio que será apresentado no “Degusta, Alemão!” é baseado em sanduíches saudáveis, que podem ser montados por crianças. Utilizando pães, queijo, presunto, vegetais e legumes, os estudantes se divertiram construindo sanduíches temáticos (animais, bonecos e personagens de desenhos animados).


O trabalho foi finalizado com a construção de cartazes explorando o potencial educativo e curricular de todos os temas abordados. Por exemplo, o cálculo da lista dos itens, peso e quantidade de alimentos necessários para a construção dos sanduíches.

O Bairro Educador agradece a oportunidade de realizar a Trilha Educativa Vinícius no Plural: saúde e educação em parceria com a professora Iris Nogueira, com apoio do Programa Saúde na Escola, estagiário de informática, coordenação e direção da Escola Municipal José Aparecido do Prado Sarti.
Por Rivânia Lima

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O sabor do saber


Estudantes da Escola Municipal Professor Affonso Várzea fazendo brigadeiro

Na última sexta-feira, 04 de maio, as doze unidades escolares¹ do Complexo do Alemão, atendidas pelo Bairro Educador, homenagearam através da gastronomia, o escritor Monteiro Lobato, popularmente conhecido pelas suas obras da literatura infantil.  A 3ª edição do Degusta Alemão, sediado na Escola Municipal Professor Affonzo Várzea, teve como tema a culinária do Sítio do Pica Pau Amarelo, e o objetivo da culminância foi transmitir para os estudantes, de uma forma lúdica, o conteúdo programático das disciplinas, através de receitas culinárias trazidas pelas professoras.

A peça teatral, organizada pela equipe do Programa Saúde na Escola (PSE) abriu o evento. Os integrantes da 3ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação), receberam o convite do PSE para atuarem na peça, que teve como tema as aventuras dos principais personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo. 

Peça: Sítio do Pica pau Amarelo

Integrantes da 3ª CRE

A professora da Escola Municipal Professor Affonzo Várzea, Deise Gonçalves, foi a precursora do evento, a partir do projeto: “Receitas de Sucesso”, lançado pela mesma, em sala de aula. Segundo Deise, o Bairro Educador valorizou o seu projeto, através da criação do Degusta Alemão, unindo toda a comunidade escolar do bairro, responsáveis e estudantes.

“O Bairro Educador atua como uma ponte entre as escolas e o bairro, dando todo um suporte e buscando parceiros, que ajudam na realização do evento. Há uma troca de experiência entre as escolas que participam do evento, levando em consideração o conteúdo programático de cada uma. Muitos alunos não conheciam o autor Monteiro Lobato, e através da culinária do Sítio do Pica Pau Amarelo, foi possível trabalhar com eles a leitura, o cálculo matemáticos e outras disciplinas”. 


A estudante do 3º ano da Escola Municipal Nereu Sampaio, Bruna Sousa, disse ter melhorado seu aprendizado, a partir do evento.


“Sempre assisti o sítio do Pica Pau Amarelo, mas eu não conhecia o Monteiro Lobato. As receitas me ajudaram a aprender muitas coisas. A leitura já paz parte da minha vida” - relatou a estudante.

As unidades escolares presentes no evento montaram stands e expuseram as iguarias culinárias para a degustação, todas inspiradas nas receitas da personagem Tia Anastácia, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Cada stand apresentava um mural, que explicava como os estudantes desenvolveram as receitas, através de um conteúdo pedagógico, alinhado a uma determinada disciplina.

Mural explicativo 

O gestor de projetos do Bairro Educador e psicólogo, Flávio Soares, ministrou uma palestra, direcionada aos responsáveis, com o tópico: “Receita para uma relação familiar saudável.” A palestra abrangeu temas como: diálogo, paciência, afeto, amor e zelo.

Gestor de projetos do BE dando palestra para responsáveis

De acordo com a responsável Marluce da Silva, mãe de um estudante da Escola Municipal José Aparecido do Prado Sarti, a palestra a ajudou a repensar mais sobre a sua relação familiar com o esposo e o filho.



“Essa interação entre a escola e os pais é muito boa. A palestra com o psicólogo me mostrou que a vida é como uma receita e precisa dos seguintes ingredientes: amor, carinho e compreensão.”

Marina Hirsch, parceira do Bairro Educador e proprietária do restaurante Zuka,  colaborou com o evento, doando descartáveis, e frisou a importância da parceria com o Bairro Educador.

“A parceria com o Bairro Educador foi gratificante e muito produtiva. O evento passa todo um conteúdo disciplinar para os pais e alunos, com a ajuda de toda a escola” – disse Marina.

Gestores de projeto do BE, gestora de núcleo Mary Lança, á direita: Marina Hirsch e à esquerda Beatriz Novaes, parceira e apoiadora do projeto

Diretora da Escola Municipal Professor Affonso Várzea, há 22 anos, Eliane Sabback falou sobre a importância da parceria com o Bairro Educador, que disseminou o evento, como uma forma de reunir a comunidade escolar do Complexo do Alemão e os moradores da região em questão, colaborando para o aprendizado e ampliando o conhecimento de um todo.


“O Bairro Educador, além de unir, também facilitou o nosso contato com o núcleo de diretores das escolas do Alemão. O Degusta trabalha em cima das dificuldades dos alunos em algumas disciplinas e os professores os ensinam a importância de cada nutriente presente nos alimentos. Outra característica importante do evento foi a articulação com os moradores, que através dessas receitas, fazem e vendem na comunidade, as iguarias aprendidas nas oficinas.”




¹ Escola Municipal Professor Affonso Várzea, Escola Municipal Rubens Berardo, Escola Municipal Professora Vera Saback Sampaio, Escola Municipal Professor Mourão Filho, Escola Municipal Nereu Sampaio, Escola Municipal José Aparecido Sarti, Escola Municipal Jardim Guadalajara, Creche Municipal Nova Brasília, Creche Municipal José Vieira da Silva e (Espaço de Desenvolvimento Infantil) EDI Dona Lindu. Duas escolas foram convidadas: EDI Lúcia Maria Batista de Albuquerque e EDI Professora Luisa Helena Maia Medeiros.



Por Ana Paula Santana

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma tarde com muito sabor e aprendizagem!

Doce de chuchu... Bolo de abobrinha... Suco de carambola... Quiche de casca de abóbora... As crianças do Complexo do Alemão comeram e também apreciaram essas iguarias!
Foi no dia 04 de novembro, quando as 10 unidades escolares do Bairro Educador Complexo do Alemão (BECA) realizaram a 2ª edição do Degusta, Alemão – o sabor da culinária pedagógica. O evento foi a culminância de atividades educativas desenvolvidas nas escolas, utilizando a culinária como um elemento norteador para a aprendizagem.

Para este ano, foi eleita a temática do aproveitamento integral dos alimentos, cuja inspiração veio do curso Cozinha Brasil, oferecido em janeiro pelo SESI, parceiro do Bairro Educador.
A Escola Municipal Professor Affonso Varzea sediou a atividade na qual as unidades escolares expuseram suas receitas. A abertura do evento contou com uma apresentação artística de estudantes da escola sede, dançando Aquarela do Brasil.

A Escola Municipal Rubens Berardo levou o suco da casca do melão com hortelã; a E.M. Profa. Vera Saback Sampaio preparou um bolo com casca de banana e suco da horta; a E.M. Professor Mourão Filho apresentou doces e sucos feitos com abacaxi e carambola; a E.M. Professor Affonso Varzea expôs o suco de guaraná natural, pipoca e cupcake de banana; a E.M. Nereu Sampaio trouxe quiche de casca de abóbora; a E.M. José Aparecido do Prado Sarti levou curau e cupcake; a E.M. Jardim Guadalajara preparou o suco da horta e de abóbora com laranja; a Creche Municipal José Vieira da Silva expôs o bolo Brasil; a C.M. Nova Brasília trouxe doces de abóbora com casca e de chuchu; o EDI D. Lindu bolo de abobrinha.


Cada unidade escolar foi representada por 15 estudantes e a E.M Professor Affonso Varzea participou com todo o turno da tarde, totalizando uma média de 580 estudantes no evento. Compareceu também o Seu Beca, desta vez mias magro porque fez uma alimentação saudável durante o ano.


Paralelamente, foram desenvolvidas duas oficinas para os responsáveis com parceiros do Bairro Educador: o SESI ensinou receitas de suco de horta e pastel de casca de abóbora; a FHIO (Frente Humana de Intervenções Organizadas) apresentou a proposta da criação de um circuito gastronômico no Complexo do Alemão, para o qual está identificando empreendedores na comunidade.
A FHIO também aproveitou a oportunidade para eleger receitas que serão servidas neste circuito gastronômico. Foram selecionadas as seguintes: Suco de horta (E.M. Profa. Vera Saback Sampaio e E.M. Jardim Guadalajara); quiche de casca de abóbora (E.M. Nereu Sampaio) e doce de chuchu (C.M. Nova Brasília).
A Secretaria Municipal de Educação e a Unesco enviaram representantes para prestigiar as escolas do BECA.
O Bairro Educador agradece a todos os envolvidos pelo empenho em proporcionar esta oportunidade educativa aos estudantes do Complexo do Alemão.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando a escola é de vidro

Gibiteca da E.M. Otelo de Souza Reis (BE Sta Cruz)
Alfabetização é o aprendizado e utilização do alfabeto como código de comunicação. É saber ler, compreender, interpretar, criticar e produzir informações.
O processo de alfabetização de um indivíduo promove sua socialização, já que possibilita o estabelecimento de novos tipos de trocas simbólicas com outros indivíduos, acesso a bens culturais e a facilidades oferecidas pelas instituições sociais.
O texto a seguir foi retirado do livro Este Admirável Mundo Louco, e é a imagem que o Bairro Educador quer levar às escolas durante o ano de 2011.



Quando a Escola é de Vidro 
Ruth Rocha


Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito. 
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
Eu ia pra escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não! 
O vidro dependia da classe em que a gente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida  que você ia passando de ano. 
Se não passasse de ano era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado.
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito. 
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarrachava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
Degusta Alemão (BE Alemão)


As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos. 
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de Educação Física.
Mas aí a gente já estava desesperado de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros. 
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa. 
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada à toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
E então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida. 
Uma professora, que eu tinha, dizia que ela sempre tinha usado vidro, até pra dormir, por isso que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer à vontade. 
Então a professora respondeu que era mentira, que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até de sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até estranhavam sair dos vidros. 
Mas uma vez, veio para minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que é pobre.
Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo... 
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir às aulas sem estar dentro do vidro.
Dia da sensibilização ambiental (BE Paciência)
O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado... 
E os professores não gostavam nada disso...
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...
E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até mesmo que gozava a cara da gente que vivia preso. 
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um croque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também: 
- Se o Firuli pode, por que é que nós não podemos?
Mas Dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro...
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros. 
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado:
- Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo! 
A gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou a pegar os meninos um por um e enfiar à força dentro dos vidros. 
Mas nós estávamos loucos para sair também, e pra cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros. 
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais. Dona Demência já estava na janela gritando - SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(pra ela bárbaro era xingação). 
Aula de capoeira na Creche Municipal Raio de Sol (BE Borel)

Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina... 
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6° série, todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros. 
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola, e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande pro dia seguinte. 
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria tudo de novo.
Diante disso, seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais. E que,de agora em diante, ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental. 
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
- Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
- Não tem importância. Agente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas... 
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os sabores da Educação

"Um sonho que se sonha só é apenas um sonho, um sonho que se sonha junto se torna realidade. O Degusta Alemão foi um sonho coletivo, e hoje é uma realidade. Ver esse evento, essa festa bonita representa muito pra mim"

Foi citando uma frase do Arcebisbo Dom Hélder Câmara que a professora Deise Aparecida Gonçalves Costa, da E.M. Prof. Affonso Varzea, explicou como se sentia ao ver um projeto Uma Receita de Sucesso, iniciado por ela na sala de aula, sendo abraçado pela comunidade e demais escolas do Bairro Educador Complexo do Alemão.

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No projeto a professora realiza oficinas de culinária com os alunos e utiliza disciplinas como Português e Matemática na hora da receita, fazendo com que eles aprendam a cozinhar mas sem esquecer a sala de aula.

Inspirado no Degusta Rio, o Degusta Alemão reuniu as escolas Henrique Foréis, Jardim Guadalajara, Nereu Sampaio, Prof. Affonso Varzea, Prof. Mourão Filho, Rubens Berardo, Vera Saback Sampaio, as creches Nova Brasília, José Vieira da Silva e EDI Dona Lindu.

A abertura oficial do evento foi feita pelos alunos da E. M. Prof. Affonso Varzea que cantaram a música Rexeitas da Xuxa, todos uniformizados com toucas e aventais. Em seguida, a Secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, fez seu discurso e ressaltou a importância da presença dos pais na vida escolar dos filhos e de uma boa escola.


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"Agradeço a todos os pais que acompanham a vida escolar de seus filhos. Daqui a muitos anos eles entenderão o motivo e a importância da vinda de vocês aqui. Hoje, as criança aprendem e lêem como nunca fizeram antes, e todas elas têm sonhos, mas os sonhos  só acontecem se eles tiverem uma boa escola".

Claudia Costin ainda falou sobre o Bairro Educador e pediu que os alunos sempre se lembrem dos seus professores e diretores. "Agradeço também ao Bairro Educador que está fazendo as escolas do amanhã se tornarem escolas de hoje, com resultado imediato. Crianças, quero que vocês, daqui a 20 anos, quando realizarem seus sonhos, não se esqueçam dos professores e diretores que hoje fazem o melhor por vocês", finalizou.


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O Evento reuniu stands de degustação de todas as escolas, da equipe do Bairro Educador e de parceiros locais. Durante a festividade era possível se deliciar com o milho cozido da Creche Nova Brasília, com tapioca, pastéis, caldo de cana e guaraná natural da E. M. Affonso Varzea, com o bolo de banana da E. M. Mourão Filho, com o cachorro-quente do Bairro Educador, com os bolos e algodão-doce da E. M. Vera Saback Sampaio, com a sopa de ervilha da E. M. Nereu Sampaio, com a salada de frutas da Creche José Vieira da Silva, com o cuscuz da E. M. Henrique Foréis, com o cajuzinho da E. M. Jardim Guadalajara, com o açaí da Professora Deise, com o biscoito amanteigado da E. M. Rubens Berardo, com os bolos diversos do EDI Dona Lindu, com a pipoca do Paulinho, comerciante e parceiro local, entre outros. Todos esses alimentos são reconhecidos nas ruas do Complexo do Alemão

Todos esses alimentos foram preparados pelos professores e alunos. As imagens dessas oficinas de culinária pedagógica que resultaram no Degusta Alemão foram exibidas durante todo o evento em um vídeo produzido por Bruno Aguiar, Gestor de Projetos do Bairro Educador. Um anfitrião especial acompanhava todo o evento. O Seu Beca, a "cara" do Degusta, AlemãoA simpática figura circulou por todo o evento divertindo os presentes.


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As crianças se divertiram bastante, além de terem aprendido algo que é novo para muitos: cozinhar. E todos ficaram muito felizem em poder participar. "Poder participar do Degusta, ainda mais auxiliando a produzir alimentos foi muito bom. Estou me sentindo uma cozinheira de verdade. A experiência que tive foi muito legal, amei", disse Lorraine Taiane, aluna do 4° ano da E.M. Affonso Várzea, responsável pela barraca de pastel.

Além da degustação, o Degusta Alemão contou com a Rádio Criança, comandada pelos alunos e que a todo momento fazia entrevistas com as pesoas presentes, anunciava as receitas do dia e conteúdos trabalhados em cada uma, além de informar as atividades que aconteciam simultaneamente à degustação.

Na quadra da escola o Professor Ivo, da E. M. Henrique Foréis, comandou as atividades físicas com as crianças. Na entrada da escola, a Professora Fabiana, da E. M. Prof. Affonso Varzea, realizou a oficina de contação de histórias, tudo inspirado nos alimentos presentes no cardápio do dia. 

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Pais, moradores da região, entre outros visitaram e aprovaram o evento. Para Renato do Nascimento, um evento como esse é muito importante para o aluno, escola e para a comunidade. "O evento agrega bastante a parte pedagógica e a socialização das crianças na parte escolar. Esse evento está aproximando as escolas, os alunos e a comunidade. Sem falar que os alunos ainda estão aprendendo a trabalhar em equipe. Acredito que trabalho, equipe e resgate de valores podem resumir esse evento lindo", afirmou.


Os pais e responsáveis ainda puderam conhecer novas formas para reaproveitar alimentos que geralmente são descartados. A Pastoral da Criança e da Saúde da Igreja São Vicente de Paulo ofereceu esta oficina sobre alimentação alternativa e dicas de saúde.

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O Degusta Alemão contou com a presença da  Secretária  Municipal de Educação, Claudia Costin, da Subsecretária de Ensino, Helena Bomeny, da Assessora Especial da SME, Mariza Lomba, da Coordenadora Geral da 3ª CRE, Maria do Amparo Mirando Reis, da Assessora da 3° CRE, Maria Francisca do Carmo, do  Administrador Regional Cláudio Medeiros, do Vereador Jorginho SOS, além de professores, alunos, pais e responsáveis, da equipe do Bairro Educador e parceiros locais

Agradecimento especial à Gestora de Projetos, Claudia Garcia, ao Gestor de Projetos Bruno Aguiar e à equipe do BE Engenho Rainha, Adriano de Araújo e Débora Targino pelo esforço feito para que o projeto acontecesse.

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Um dos principais responsáveis pelo evento, o Gestor de Núcleo do Bairro Educador Complexo do Alemão,  Bruno Lopes, falou sobre o evento logo após o encerramento do mesmo. "Foi um dia de muita integração, aprendizado e alegria. É uma satisfação enorme ver todo mundo junto, feliz, saber que tudo que foi planejado ocorreu como o esperado. Essa metodologia de utilizar a culinária no aprendizado é muito interessante, sem falar que todas as escolas trouxeram seus alunos, o que favorece o relacionamento entre elas", afirmou.


Opinião parecida teve Eliane Saback, diretora da E.M. Affonso Varzea. Para ela é uma satisfação enorme ver que as crianças estão felizes, que aprenderam, que aproveitaram o dia, o evento. "Só tenho que agradecer a todos que colaboraram para que o evento fosse um sucesso", afirmou.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Bairro Educador no Degusta Alemão – O Sabor da Culinária Pedagógica


Por que o milho da pipoca estoura? Como surgiu o cachorro-quente? Qual a origem do açaí? Por que a massa do bolo cresce de tamanho? Cultura, matemática e português fazem o cardápio do Degusta Alemão, evento promovido pelo Bairro Educador Complexo do Alemão, que acontece na próxima sexta-feira, dia 5.

O Degusta Alemão foi inspirado no evento Degusta Rio.  A ideia surgiu das aulas da Professora Deise, da Escola Municipal Prof. Affonso Várzea, em que os conteúdos de Matemática e Língua Portuguesa são trabalhados a partir de receitas de culinária. Na programação, além da degustação, haverá a exposição de fotos e vídeos das oficinas de preparação dos alimentos realizadas em cada escola e apresentação das orientações curriculares trabalhadas em cada uma delas.

Valorizar e replicar uma boa experiência
Animados com os bons resultados das aulas com receitas culinárias, a equipe do Bairro Educador Complexo do Alemão, BECA, decidiu montar o evento envolvendo todas as Escolas da região, com o mote da culinária pedagógica - a utilização de receitas culinárias como forma de aprendizagem.

No dia 5 de novembro, o Bairro Educador ocupa a E. M. Prof. Affonso Varzea com stands das escolas Henrique Foréis, Prof. Mourão Filho, Nereu Sampaio, Vera Saback Sampaio e Rubens Berardo, Jardim Guadalajara, das creches Nova Brasília, José Vieira da Silva e EDI Dona Lindo, e também stands do Bairro Educador, do Conselho Escola-Comunidade, CEC, das Mães Voluntárias, e dos parceiros locais. Ao todo serão mais 16 stands para degustação, sendo que a preparação dos alimentos será feita com os alunos, trabalhando conteúdos de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências, História e Geografia.

A escolha dos alimentos foi simples. Aqueles que podem ser encontrados facilmente nas comunidades do Complexo do Alemão. Os stands servirão milho cozido, tapioca, bolos, cachorro-quente, caldos, pastéis, açaí, biscoito amanteigado, entre outros, todos preparados pelos professores e alunos e com muito tempero de matemática, língua portuguesa, história, ciências e geografia.

Para os pais e responsáveis, a Pastoral da Criança e da Saúde, da Igreja São Vicente de Paulo, oferecerá uma oficina sobre alimentação alternativa e dicas de saúde. Será uma ótima oportunidade de levar informações, além de aproximar os responsáveis das escolas. Os responsáveis receberão certificado de participação na oficina.

Local: E. M. Professor Affonso Varzea
Endereço: Av. Itaoca, 2086. Inhaúma.
Horário: 14:30

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Diretoras do Bairro Educador Complexo do Alemão e Engenho da Rainha se reúnem para planejar os próximos eventos

Em reunião realizada no dia 25/10, as equipes do BE Complexo do Alemão e BE Engenho da Rainha, junto com as diretoras das escolas e creches participantes do projeto, finalizaram a organização dos eventos: Degusta Alemão, BECA e BEER Fashion Week e Cantos e Encantos do Complexo do Alemão.



Em seguida, foram apresentados os informes sobre o contato com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, a Oficina de Comunicação que acontecerá no dia 04/11 na sede do CIEDS/Castelo e a agenda de atividades do SESC Ramos. 



Ao término da reunião, houve visitação à quadra da E.M. Nereu Sampaio para visualizarmos o espaço e as necessidades para a realização do desfile no dia da inauguração do Bairro Educador Engenho da Rainha.



Agenda dos eventos:

Dia 05/11 - Degusta Alemão - às 14h30min na E.M. Profº Affonso Várzea
Dia 26/11 - Cantos e Encantos do Complexo do Alemão - às 09h na E.M. Profª Vera Saback Sampaio
Dia 01/12 - Lançamento do Bairro Educador Engenho Rainha - às 11h na E.M. Nereu Sampaio

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

BE Complexo do Alemão e BE Engenho da Rainha promovem Oficina Pedagógica de Cachorro-quente

As equipes de gestores do Bairro Educador do Complexo do Alemão e do Engenho da Rainha, realizaram uma oficina pedagógica tendo como receita o cachorro-quente. Participaram grupos de alunos das Escolas Municipais: Affonso Várzea, Rubens Berardo, Henrique Foréis e Vera Saback.







Esta oficina faz parte de uma prévia do “Degusta Alemão”, evento que será realizado em outubro pelas escolas que compõem o BECA e o BEER resgatando as comidas típicas no Complexo do Alemão.  

A proposta da oficina foi relacionar o conteúdo pedagógico de português e matemática com a produção de cachorros-quentes. A metodologia utilizada proporcionou uma integração entre os grupos que não se conheciam e formaram equipes para participar do JOGO DA TRILHA, momento em que de uma forma dinâmica os conteúdos pedagógicos foram sendo desenvolvidos como: leitura e interpretação de texto, compra em supermercados utilizando moeda corrente, cálculo de tempo, peso e medida. 


Uma parte do grupo que teve a oportunidade de colocar a mão na massa para fazer o cachorro-quente, apresentou o passo-a-passo de como a receita foi realizada, e serviu o lanche aos colegas no término da oficina.